Meu pequeno anjo,
Estou trise, sabe? Talvez até chorando enquanto escrevo. Você deve estar se perguntando porque eu estou escrevendo, afinal você está tão perto. Você voltou. Eu ainda guardo as cartas que você me escreveu, e quando leio a primeira delas, e vejo você dizendo que está com saudades e me ama muito, eu choro mais ainda. E que bobo sou eu, escrevendo uma carta sendo que posso apenas falar com você, mas você apenas não me escuta mais, não me olha nos olhos, você entende?
Eu estou te escrevendo pois descobri que você só me ama por cartas, então, aqui está mais uma, a última. Em todas as suas cartas, quando você estava longe, você sempre dizia que me amava e me fez acreditar nesse amor. Mas entenda bem, eu não te amo. Sério, o que sinto não é amor, eu amo meus pais, meus irmãos, amigos, mas não você, e sei que você jamais entenderia, afinal o que sinto é maior que isso, bem maior que amor. Um sentimento que não tem começo e nem fim, não tem explicação, é puro, apenas existe. E sei também que você não sente o mesmo, não chega nem perto, nem sei se o que você sente por mim é amor. Desde que você chegou nunca me disse “eu te amo”, quando me viu depois de tantos meses longe, não ficou alegre, não esboçou felicidade, apenas apareceu normal, como se nunca tivesse ido embora, como se eu nunca tivesse derramado uma única lágrima de saudade. Me machuca até hoje, e acho que vai machucar sempre.
Eu estou realmente triste, essa é minha última carta por um bom motivo, depois que descobri que você só é capaz de me amar pela distância resolvi viajar, fazer uma viagem longa, o mais distante que um homem pode ir, é certo que eu não volte. Eu espero que quando te entregar a carta pessoalmente, ao menos dessa vez você me olhe nos olhos, eu ainda quero acreditar que você me ama, eu quero.
Adeus. Só posso dizer que te amo, afinal não criaram verbo ou qualquer palavra para o que sinto.
