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Archive for the ‘Literatura’ Category

Calvin: “Haroldo, o que você acha que acontece quando a gente morre?”
Haroldo: “Eu acho que a gente fica tocando saxofone num cabaré só pra mulheres em New Orleans.”
Calvin: “Então você acredita em paraíso?”
Haroldo: “Chame do que você quiser.”

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“O céu deve ser chato pra cacete. E o inferno, se tivesse mulher e birita não tinha a fama que tem.”

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Um conto

Por um tempo além deste blog, eu mantive um de histórias sobre vampiros. Encontrei por lá um texto que foi bem elogiado. Então resolvi colocar por aqui, resolvi também reeditá-lo, acrescentar umas poucas palavras só para enriquecer um pouco mais a descrição. Na primeira versão intencionalmente eu pulei uma pequena linha do tempo pelo simples motivo de falta de criativadade, muita falta de vergonha de minha parte. O texto me agrada também e espero que agrade aos leitores. Lembro que não é meu forte, já não escrevo bons poemas simples, o que se pode dizer de narrativas?

Durante o século XVIII, uma família simples, uma família cristã, uma família bondosa, morava na Rua do Alecrim em Lisboa. Uma mulher de pouco mais de 50 anos, um homem com seus quase 70. Três adoráveis crianças, dois garotos, de 8 e 12 anos, uma bela mulher, com seus 20 anos. Os outros não nos interessam, mas a menina, que aliás já é mulher, e muito bela, ela é nossa estrela principal, nesse cenário de terror, um pequeno anjo. Fora educada nesses velhos costumes cristãos, era bondosa e meiga, muito gentil e também educada. Era como se viesse da nobreza, mas não. Era uma família simples, não pobre, afinal o pai tinha lá suas posses, mas ainda assim simples. Como sempre, era noite, não existe hora melhor. E nossa personagem principal estava sozinha, em uma rua deserta [como desertas são todas as ruas do medo], precisou sair da Missa do Galo mais cedo que os outros, teve que ir para casa. Mas aquela noite em especial, ela encontraria uma criatura que só existia em lendas. Um ser criado dos mais violentos mitos, dos piores sonhos. Descendente de Caim, um ser sombrio. A garota caminhava lentamente, com o olhar distante, melancólico, como a esperar, como se soubesse do seu destino, desse futuro imediato. Não houve cortejos como nos livros, galanteios, ou paciência da criatura, de forma violenta, rápida, cruel, cravejou no pescoço da donzela dentes brancos como marfim. Possuía, saboreava, degustava cada preciosa gota vermelha. E apaixonado pela doce humana que devorava, a criatura, se fez criador, a donzela se fez criação, e depois do banquete, fez do corpo imóvel e seco a sua frente, fez do corpo morto, sua amada imortal. O sol já estava nascendo, a família ainda estava acordada a procurar pela jovem, lampiões ainda estavam acesos a procurá-la. Enquanto ela estava acordando e não se lembrava muito da noite anterior, mas sabia que estava em um lugar estranho, iluminada por uma infeliz chama, sozinha no profundo escuro. Quando a criatura aproximou-se da jovem, ela gritou horrorizada. Levou horas para entender o que estava acontecendo. Levou dias para aceitar quem era agora. Levou décadas para se alimentar, e agora, alguns séculos depois, já consegue se divertir com tudo isso. Gosta dos apelidos que recebe, em especial quando a chamam de assassina. A falta de um coração batendo em peito quente é capaz de corromper a mais pura das almas, até mesmo essa doce garota, que ainda é bela, apesar de sua pele branca, parecendo uma pequena boneca de porcelana, que pode se quebrar a qualquer momento, mas não se engane, pode ser tão cruel quanto seu criador, ou qualquer outro antigo demônio dessa desprezível espécie. Todos desejam seu nome, não direi, é uma blasfêmia, uma maldição, o que sei é que após um massacre em uma pequena vila italiana, passaram a chamar a nossa bela dos olhos verdes de Ravena, uma pequena homenagem a esse delicioso massacre e é melhor que a chamem assim.

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Conto

Olha eu aqui atrasado de novo. Fazer o que não é? Hoje vou postar um conto da escritora Ana Santos [infelizmente careço de mais fontes sobre a autora]. Este conto eu li na revista Bravo!, uma das melhores revistas que assino [na verdade assino apenas 3, todas excelentes, inclusive já mencionei por aqui a Piauí). Então vamos ao conto, curto e muito prazeroso.

“Meu vô Laco era branco e leve, sentado à porta. Respirava baixo. Tinha nos olhos resto de espanto: era cego. E no cegar sequer sabia a gente, na cadeira anoitecia, quieto, quieto, entre galinhas e sapos. Havia escuro, mas no rosto do vô as duas velas, até minha mãe, sua filha, soprá-las com voz e braço, ternos.
Era plácido; inimigo do vento. Às vezes quis falar-lhe, dizer verso, dizer: vô Laco, o senhor lembra que são bonitas as galinhas? Dizer: vozinho, quer que eu te conte essa figura de revista? Não disse. Meu vô Laco era perecível. A gente ficava sem jeito de amá-lo.
Cheirava morno. Vestia casaco, seu único, de linho marrom. Casaco de baús. Nos bolsos, guardava as mãos, muitíssimo. Muitíssimo ruminou segredo na boca vazia de dentes. Mastigava – os lábios cerrados, beija-flor de asa – algum caramelo eterno.
Gostava, sim, de caramelos. Mas o doutor lhe proibira açúcar: a filha escondera em terríveis potes as doçuras todas da casa. Não raro a gente o via na cozinha a tatear, cheirar, derrubar xícaras. Sumiam nacos de rapadura e chocolate, fatias de bolo – que coisa feia, o senhor não tem vergonha? E o vô sorria, desentendido.
Uma vez me chamou: Julinho. Então ele me sabia? Tirou do bolso chicle de hortelã. O sol, monótono, se punha. Houve barulho: de grilo, rádio, cão. Fiquei assim, com ele, ao pé da porta – silencioso, diminuto, a estourar bolas.
Um velho sentado em cadeira preenche os quintais do mundo. Não há não vê-lo; não pensá-lo. Um velho vive porque a gente o vê, a gente pensa: quando ele for, o que será? Pois se ele tem a idade do tempo. A gente ri do que ele fala, diz: está caduco. Um velho atravessa o dia muito só, lembrando, navegante de horas. Leva a cadeira ao quintal, de manhã; à noite a recolhe. Entrementes, o nada supremo, as cozinhas.
Não disse: quer um gole do meu guaraná? Que eu te faça chapéu de jornal? Ele era pouso pros aviões da gente – gigante doce, inerte.
Decerto, entrementes, mastigando, quis dilúvio, quis incêndio, morreu, morreu – sequíssimo e intacto. E já não era vô Laco; era o horror das cadeiras sem velho.
Foi velado, sobre a mesa. Vieram parentes, com choro. Lá fora, o burburinho das aves. A filha penteara-lhe o cabelo, pusera-lhe sapatos, um casaco outro, novo. Eu sério, homenzinho, as pestanas inquietas. Amei-o com atraso.
O que é de um morto esconde-se em armário, atrás de porta. É um palpitar no escuro. A gente o liberta, enfim – e está mofado.
Do vô, era o casaco. Pendia (tão seu único, tão marrom) de algum cabide firme. E vi – que ditosas, achadoras de tesouro, invadiam-lhe os bolsos mil abelhas e formigas.”

O nome do conto é Açúcar, aqui você pode ler outro conto da autora.

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Hoje…

Hoje, apesar do poema meio triste que escrevi, acordei bem mais feliz que ontem. Hoje, apesar de tudo, estou me sentindo muito bem. Dois posts em um dia, é estou realmente bem. Sou um fã de tirinhas (Calvin e Haroldo principalmente) e quadrinhos. E também sou fã da revista Piauí, e na penúltima edição dela, foi impressa uma história em quadrinhos muito bacana. “O homem da cabeça de papelão”. Uma história, engraçada e encantadora, com traços do cartunista Allan Sieber, a história é uma adaptação de obras de João do Rio. Abaixo um trecho por escrito dos quadrinhos, e para ler a história completa, no site da Piauí, é só clicar no aqui do clique aqui.
No país que chamavam de Sol, apesar de chover às vezes semanas inteiras, vivia um homem de nome Antenor. Não era príncipe nem deputado. Nem rico. Nem jornalista. Absolutamente sem importância social. O país do Sol era o mais comum, o menos surpreendente em idéias e práticas. Os habitantes afluíam todos para a capital, e tomavam todos os lugares dos que, por desventura eram da capital. Havia milhares de automóveis pelas artérias matando gente para matar o tempo, cabarés, jornais, a bolsa, o governo, a moda e um aborrecimento integral. Enfim, tudo quanto uma cidade de fantasia pode almejar. E o povo que a habitava se julgava possuidor de imenso bom senso. Bom senso! Se não fosse a capital do país do sol, a cidade seria a capital do bom senso!Precisamente por isso, Antenor era exceção malvista. Esse rapaz, filho de boa família ( tão boa que até tinha sentimentos), agira sempre em desacordo com a norma dos seus concidadãos. Desde menino, a sua mãe descobriu-lhe um defeito horrível: Antenor só dizia a verdade.

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Esse tal José

Não quero me prolongar nesse post, pois se eu deixar as palavras me levarem escreveria algo que para vocês terminarem de ler levarias horas. Quero falar de uma alguém que não conheço, nunca o vi, além de fotos e mais nada. Mas apesar disso é hoje quem considero o melhor escritor vivo, talvez seja cedo para que eu diga sobre seus livros, ate porque li apenas um e estou em meia leitura de outro. Esse português conseguiu prender toda minha atenção e me deixar envolvido em suas palavras, falo do José Saramago e seu primeiro livro que li foi o Ensaio sobre a Cegueira, também filme de direção do Meirelles (aliás ainda não tive a oportunidade de assisti-lo na verdade tive mas não pude, então isso é não ter). Estou lendo atualmente Ensaio sobre a Lucidez, e já tenho em meu quarto A viagem do elefante, e também já fiz o pedido de O ano da morte de Ricardo Reis e A Caverna. O Saramago escreve um blog O Caderno de Saramago, excelente por sinal, fiquei um tempo sem acompanhar, e pelo que sei suas últimas letras foram no inicio desse mesmo mês em que estamos, outubro senão não me falha a memória. ” eis que aparece a manter um blog onde se mete um pouco com toda a gente, atraindo sobre a sua pessoa polémicas e excomunhões vindas de muitos lados – mais frequentemente não por dizer coisas que não deve dizer mas porque não perde tempo a medir as palavras – e talvez o faça mesmo de propósito. ” em palavras de Humberto Eco, um trecho de um artigo dele sobre o Saramago, o qual comentou a respeito “Sou, neste momento, o mais grato dos escritores.” em procura achei o artigo aqui. Não tenho, infelizmente, esse dom ou capacidade (prefiro experiência) do Eco para unir palavras e fazê-las em frase a respeito do Saramago. Fico por aqui e recomendo a leitura de qualquer livro desse senhor que não conheço.

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